29.4.09

Tartarugas & baleias

Enfim, foi mais um dia em cheio. Depois de adoptar a Portuga, ainda fiz mais coisas fixes, hoje.
De manhã, fui com o pai visitar um instituto que estuda e protege baleias. Eu nunca tinha visto tantas ossadas de baleias juntas. Afinal, a que vi com o Otávio e o pai, em Trancoso, não era a maior do mundo!

Vimos um filme que explica a vida das baleias, os diferentes tipos de baleias que há e vi ainda uma baleia bebé a fingir. Mas, mesmo sendo bebé, já tinha uns 5 metros!

Ao fim do dia, tivemos a sorte de estar a nascer uma ninhada de tartarugas na praia, nos berços que o projeto Tamar protege. Por isso, vimos quando os senhores que lá trabalham cavaram a areia para tirar os filhotes mais preguiçosos que ainda tinham ficado no buraco. É que, na noite passada, os irmãos mais atrevidos já tinham furado a areia e subido cá para fora. Por isso, lá no Projecto Tamar eles vigiam e ajudam as mais fraquinhas a sair, ao fim desse dia. E ainda lá estavam 11, que depois fomos todos deitar na areia da praia. Não sei como é que elas sabem de que lado está o mar! Começaram logo a correr para a água, algumas tropeçavam nos buraquinhos da areia, para logo voltar a marchar. Parecia uma corrida!


E lá foram elas, todas contentes para a casa delas...

Ado(p)ção


Aqui está o nosso certificado de ado(p)ção da Portuga!

28.4.09

Tartarugas II

Hoje partimos para outra praia, desta vez a esperada Praia do Forte. É que é aqui que existe o maior centro do Projecto Tamar, onde vamos adoptar a tartaruga em nome da minha turma de Boliqueime, a turma das Tartarugas! E vamos comprar as t-shirts para a festa de fim do ano lectivo. A mãe combinou tudo com a Anabela, para juntarmos estas nossas visitas ao nome da nossa turma. Não é uma coincidência feliz?

E lá fomos, de manhã. Foi uma visita fantástica. Para além das tartarugas, também vi tubarões, raias e outros peixes.

Mas o melhor estava para vir: numa piscina pequena, lá estavam as bebés que nasceram na última semana. E foi uma dessas que escolhi para adoptar e para a qual eu, os meus colegas e as professoras escolhemos o nome de Portuga. Fiz-lhe festinhas e tudo! Daqui a 40 dias, ela e as irmãs vão ser levadas para o mar, para irem à vida delas. Como nesta praia há muita desova, depois delas outras se seguirão.

A seguir, fomos até à praia aproveitar a maré baixa e, mais uma vez, mergulhar durante horas nas piscinas naturais. Foi outra vez fantástico. E ainda nos esperava outra surpresa: no meio do mergulho, no fundo da piscina, eu e o pai encontrámos… um ovo de tartaruga! Vejam só a fotografia: não parece uma bola de ping-pong?

Os pais também não sabiam bem se era ou não um ovo. Mas a mãe pegou naquela bolinha com muito cuidado e foi levá-la ao centro Tamar. Sempre era um ovo de tartaruga, sim, mas o filhote não tinha sobrevivido. Parece que os bebés se agarram ao interior do ovo assim que as mães os depositam na areia, nuns buracos que elas cavam. Aí passam 50 dias até que nascem. Este, como caiu na água, não deixou a tartaruga agarrar-se e ela acabou por não vingar. Fiquei triste mas, pelo menos, tentámos salvar um filhote!

26.4.09

Salvador

Depois da viagem de lancha de regresso, fomos até Salvador. É uma cidade muito grande e os pais avisam-me sempre para não sair de perto deles, porque pode ser perigoso. Ao fim da tarde, fomos ao centro da cidade, a um lugar chamado Pelourinho. Tem casas bonitas, parecidas com as de Portugal, muitas lojas coloridas mas também muitos meninos pobres. Já pelo caminho, ao longo das estradas, e também no Rio de Janeiro a mãe me mostrou uns bairros, que se chamam favelas, onde as casas não são tão arranjadas e onde vivem pessoas mais pobres. Também hoje fiquei muito triste – até chorei - por ver crianças pobres na rua. Disse à mãe que não queria que houvesse gente pobre, mas nem o pai nem a mãe me souberam dar grande consolo…

Mas salvador tem outras coisas muito bonitas, como as praias, o Farol da Barra, um elevador muito alto, um shopping muito fixe. E os baianos, que são pessoas muito simpáticas!

23.4.09

Passeios radicais

E lá viemos para Morro de São Paulo. É uma ilha um pouco a Sul de Salvador, que é e capital da Bahia. Foi um dia radical! Primeiro, atravessámos o Rio das Contas, em Itacaré, numa balsa que leva carros e tudo.

Na outra margem, como tem chovido muito, a estrada de terra estava uma autêntica pista para rally, cheia de poças grandes! Mas o pai resolveu bem o assunto. Mais adiante, para chegar à ilha, tivemos que atravessar de lancha e eu adorei ir a apanhar o vento na cara!

Cá estamos numa pousada que é quase na areia. As praias são lindas, a maré baixa forma umas piscinas naturais e, na Quarta Praia, são as melhores. Passei quase duas horas a mergulhar com os meus óculos, no meio de centenas de peixes! E eles não fogem de nós, pelo contrário; como estão habituados a que lhes dêem de comer, aproximam-se das pessoas. ADOREI! Foi das coisas mais fixes que já fiz!

À noite, andamos por aqui a passear, descalços, no meio das esplanadas e das lojas. Não deu tempo para fazer muitos amigos, mas tenho encontrado alguns meninos que me deixam brincar com eles. E os empregados dos restaurantes já me conhecem e metem-se sempre comigo: estendem a mão para “dar cinco”, gritam “E aí, cara!” e brincam muito comigo. Tenho encontrado pessoas muito simpáticas, por aqui!

Despedida de Trancoso

Depois da minha festa, ainda passámos o resto da semana em Trancoso. Foi tão bom que confesso que me custou sair de lá...

Continuámos a ir ao Quadrado, para eu brincar com as minhas amigas, subir às árvores e jogar ao esconde-esconde. Houve até um dia em que meti o pé num buraco e acabei com a cara numa árvore - arranhei-me todo, trinquei a bochecha, gritei que nem um capado - enfim, coisas da idade.


Lá consegui levar a mãe à praia, fizemos castelos e ainda pintámos uns quadros, com as tintas da festa. Pelo caminho passámos pelo mangue, que é um lugar com água e lama, e umas plantas que só há por ali, e bichos que também são típicos daquelas zonas. Há quem coma uns caranguejos que por ali vivem. Aqui estou eu a explorar as águas.

Num outro dia, fui com o pai e o Otávio ver uma ossada de uma baleia que deu à costa, há alguns anos, e que alguém trouxe para terra. Era enorme, senti-me como o Pinóquio!

Agora viemos até Itacaré, onde tem chovido bastante. Mas outra coisa fixe no Brasil é que quando chove não está frio!
Aqui também tem umas praias bonitas, com ondas grandes e surfistas, e ontem até estive a aprender capoeira na praia, com um professor e outros meninos e meninas.

Hoje parece que vamos para Morro de São Paulo. Depois conto como foi. Até breve!

14.4.09

Tiago!


Obrigado, Tiago. Fico muito feliz por ver que estás a crescer tão bem e tão lindo! Vamos brincar muito, quando eu chegar a Portugal! Beijinhos meus e dos pais!

Festa!


Vai ser muito difícil eu contar-vos a minha festa de anos. Os pais conheceram uns amigos, nestes dias, que têm uma loja de artesanato indígena, no Quadrado. A mãe encantou-se por uma onça de madeira e começámos a ir lá todas as noites. Fiquei grande amigo do Hélio, que lá trabalha e que me apresentou às meninas todas do pedaço! Enfim, resumindo: começámos todos a organizar a festa dos meus anos e achámos que o melhor lugar era mesmo em frente à loja, numas mesas e cadeiras que pertencem ao Seu João. Combinámos com ele, que disse logo que estivéssemos à vontade, e hoje lá fomos pôr a mesa, encher balões, os pais encomendaram um bolo imenso coberto de chocolate, trouxeram sucos e brigadeiros, balas e salgadinhos. As minhas amigas ajudaram-nos imenso e depressa começámos a brincar.


Para levarmos uma boa imagem da minha festa em Trancoso, os pais lembraram-se de arranjar uma tela grande que dividiram em quadradinhos e cada um de nós fez um desenho num quadrado desses. Digam lá que não ficou demais!


E lá andámos todos a pintar e a brincar, até ficar de noite. Quando o quadro ficou pronto, cantaram-me os parabéns e, de repente, começou a chover a sério!
A Nely, que é mãe da minha amiga Serena e filha do Seu João, convidou-nos logo para entrarmos para casa deles e lá continuar a festa. E assim fomos todos para uma casa muito bonita, que fica ao fundo do corredor, ao lado da loja do Otávio e do Hélio. Lá estivemos todos até às 11 da noite, a comer o bolo e a brincar.


Os pais não brincaram tanto, claro, lá estiveram a conversar uns com os outros, e também com o Seu João e a Dª Glória, que é a mulher do Seu João e que é uma senhora com um coração muito grande.


Adorei a minha festa de 6 anos e a mãe acha que, daqui a uns anos, ainda vou gostar mais, quando me lembrar. Ela diz que ter uma festa de anos no Quadrado, com tantos amigos novos e especiais, como são estes aqui da Bahia, não é para todos!

À Serena, à Kelly, à Stefany, à Brena, à Dauane, à Isabel, à Nely, à Dª Glória, ao Seu João, ao Careca (que também fez anos hoje), ao meu amigo Hélio (a quem a mãe chama "amigo da onça"), ao meu amigo Otávio, ao Guto, ao Kiko, ao Paulinho, à Kelly e ao Sérgio - muito obrigado por este dia!

Aos meus avós, tios, primas e amigos que cá não estiveram ao vivo mas que pensaram em mim (e em quem eu pensei), e que me telefonaram ou mandaram mensagens e comentários, um beijão grande de obrigado! Desculpem se as minhas atenções hoje não estavam ao máximo nas conversas telefónicas, mas a adrenalina por cá era muita! Beijão!

12.4.09

Trancoso


Continuamos nesta cidadezinha chamada Trancoso. Estamos a gostar muito, por isso acabámos por ficar mais tempo. E também porque já fiz montes de amigos novos, que já convidei para a minha festa de anos. Tenho ido para o Quadrado, onde aprendi a subir às árvores com as minhas amigas daqui. À noite, jogamos ao esconde-esconde, andamos a monte, por ali, enquanto os pais conversam com uns outros amigos.


Aqui há uns dias, fui com o pai e um desses amigos passear de caiaque. Descemos o Rio Trancoso até à praia. Lá fui eu, à frente, a remar. Passámos por cada lugar! Até tivemos que nos deitar, quando passámos debaixo de uma ponte, porque sentados batíamos com a cabeça!


Também tenho feito alguns trabalhos e até já pus as minhas amigas a pintar comigo! Aqui estamos no terraço da nossa pousada, que é de um casal muito nosso amigo. A Kelly e o Sérgio têm-nos recebido super bem, são muito simpáticos e hoje até me deram um ovo de Páscoa do Homem Aranha!

6.4.09

Preguiça

Hoje fomos ver mais uma coisa espectacular, que eu nunca tinha visto. Imaginem vocês que fomos até uma aldeia de índios, aqui próxima, em que cuidam de bichos preguiça! E não é eu peguei mesmo numa ao colo?


Ao princípio, eu não queria mas o Surui, que é o menino índio que toma conta dela, disse que ela era muito mansinha e eu já não tive medo. É que ela tem umas garras enormes! Mas a Neguinha (que é o nome dela) é muito sossegadinha, estende os braços para nós e abraça-nos. Depois deita a cabeça de lado no nosso ombro e fica muito quietinha.
Quando lá cheguei, ela estava sentada numa cadeira a comer folhas. Parecia mesmo uma pessoa!


Há 8 meses, teve um bebé, que está agora noutra casa. O veterinário vai lá sempre vê-los e saber se estão bem.
Sai de lá todo contente, mas também com muito calor, porque ela tem um pelo muito quente!

E saí também com um arco e flecha feito mesmo pelos índios. A flecha tem uma ponta feita de osso e voa que se farta! O Surui ensinou-me a atirar e eu já consigo atirar aí a uns 5 metros. Só não posso apontar para pessoas nem animais.

4.4.09

Tartarugas, caravelas e bicicletas

Depois de uns dias mais chatos, em que andámos de carro mais do que o normal, a coisa mais fixe foi ter ido visitar um lugar onde cuidam de tartarugas. Íamos à espera de as ver nascer na praia, mas já chegámos tarde porque já tinham abertos os ovos todos. Estava lá uma com 48 dias, muito pequenina. Mas estava lá o boneco de uma bem maior do que o Rico! No final, ainda lhes dei de comer.


E depois lá chegámos à Baía. Fomos primeiro até uma cidade chamada Prado. Pelo que a mãe me contou, foi aqui que os portugueses chegaram, nas caravelas, há muitos anos. O capitão da caravela devia ser da minha família, porque se chamava Pedro Álvares Cabral...

Pois parece que foi aqui que os portugueses encontraram os índios, pela primeira vez. Antes disso, do mar tinham visto um monte muito alto, a que deram o nome de Monte Pascoal - porque era Páscoa. Depois, foram para outro lugar mais calmo para poderem parar os barcos e chamaram a essa praia Porto Seguro. Alguns dias depois, um padre chamado Henrique de Coimbra rezou a primeira missa numa outra praia e deixou lá uma cruz enorme espetada. Esse lugar chama-se agora Coroa Vermelha. Fui lá com os pais e vi os índios Pataxós, que ainda lá vivem. Gostei muito dos enfeites que eles põem na cabeça e também de umas estátuas que eles fazem.


Agora estamos em Trancoso, que é um lugar que eu adoro. Tem uma praça enorme chamada Quadrado e uma igreja pequenina, ao fundo.


Mas do que eu tenho gostado mesmo é de andar sentado na bicicleta do pai. Temos dado umas voltas fixes, por aí!